Aquela dor de garganta que tanto incomoda, a febre e o mau hálito que persistem numa crise de amigdalite até passam, mas, um tempo depois, aparecem outra vez. Quando os episódios começam a se repetir, surge uma dúvida que até pode preocupar o paciente: será que chegou a hora de operar?
Mas a frequência das infecções não é o caminho mais fácil para decidir. Antes de indicar uma amigdalectomia, é preciso considerar como essas crises acontecem, a gravidade, o histórico do paciente e as repercussões que o problema tem provocado.
Em algumas situações, outros fatores relacionados às amígdalas também podem pesar nessa decisão.
O que são as amígdalas?
As amígdalas são duas estruturas localizadas no fundo da garganta e fazem parte do sistema de defesa do nosso organismo. Já abriu a boca e, ao estender a língua para fora, percebeu duas “esponjas” gordinhas nas laterais da garganta? Essas são as amígdalas.
Por estarem em uma região de contato frequente com microrganismos que entram pela boca e pelo nariz, elas participam do reconhecimento de agentes potencialmente nocivos.
Quando ocorre uma inflamação dessas estruturas, temos a amigdalite.
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Crise isolada x amigdalite recorrente: qual é a diferença?
Há pessoas que tiveram uma amigdalite, realizaram o tratamento indicado e passaram meses, até anos, sem um novo episódio. E há pessoas que enfrentam novas crises em intervalos relativamente curtos. Essas precisam procurar atendimento repetidas vezes e começar a ter sua rotina afetada pelo problema.
O primeiro caso não é menos importante, mas os dois grupos pedem avaliações diferentes.
Precisamos observar, pois durante essas crises alguns sinais podem aparecer, como:
- Dor de garganta intensa;
- Febre;
- dor ou dificuldade para engolir;
- Aumento e vermelhidão das amígdalas;
- Presença de placas ou secreção nas amígdalas;
- Gânglios doloridos ou aumentados no pescoço.
Ter esses sintomas repetidamente não permite, por si só, concluir que a cirurgia será necessária. Eles ajudam, porém, a caracterizar como as crises acontecem.
Por isso, informações como quando os episódios ocorreram, quais sintomas estavam presentes, qual diagnóstico foi feito e qual tratamento foi prescrito podem ser úteis durante a avaliação.
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Quando operar as amígdalas?
Um dos parâmetros utilizados na avaliação de infecções recorrentes considera a ocorrência de três ou mais episódios em um ano, ou histórico clínico significativo de recorrências.
No entanto, não basta tentar lembrar quantas vezes “a garganta inflamou”. Para caracterizar esses episódios, o médico pode considerar registros das crises e sinais associados, como febre, aumento dos gânglios do pescoço, secreção nas amígdalas e confirmação de infecção por estreptococo quando investigada.
A cirurgia também pode ser avaliada em outras situações relacionadas às amígdalas. É o caso, por exemplo, de pacientes com aumento importante dessas estruturas associado a problemas respiratórios durante o sono. Histórico de complicações, como abscessos ao redor das amígdalas, também pode modificar a avaliação.
Por isso, quando as crises se tornam frequentes, registrar os episódios pode ser mais útil do que simplesmente tentar guardar um número na memória. Sintomas, consultas realizadas e tratamentos prescritos ajudam a construir um histórico mais preciso.
Recebi o diagnóstico de amigdalite: o que nunca fazer?
Dor para engolir, febre, garganta muito inflamada. Quem já passou por uma crise pode reconhecer rapidamente esses sinais quando eles aparecem de novo. O problema é assumir que, por serem parecidos, eles sempre têm a mesma causa e precisam do mesmo tratamento. Isso não é verdade.
Um dos principais cuidados é não usar antibióticos por conta própria ou reaproveitar medicamentos prescritos em uma crise anterior.
A amigdalite pode ter origem viral ou bacteriana, e o antibiótico não é indicado para todas as situações. Quando necessário, a escolha do medicamento, a dose e o tempo de uso precisam seguir orientação médica.
Também não é recomendado interromper um tratamento prescrito assim que os sintomas melhorarem sem conversar com o profissional responsável.
Como é feita a cirurgia para retirar as amígdalas?
Quando existe indicação para retirar, o procedimento realizado é chamado de amigdalectomia.
A cirurgia é feita sob anestesia e o acesso acontece pela própria boca, portanto não há necessidade de cortes externos.
Na recuperação, dor e desconforto na garganta são esperados nos primeiros dias e podem até dificultar temporariamente a alimentação sólida. Portanto, hidratação, alimentação conforme orientação médica, repouso e uso correto dos medicamentos prescritos fazem parte dos cuidados desse período.
Sente que está apresentando esses sintomas com frequência? Observar os episódios, registrar informações relevantes e procurar avaliação de um otorrinolaringologista diante da recorrência permite tomar uma decisão baseada no quadro real, e não apenas na lembrança de quantas vezes a garganta inflamou.
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